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quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Os ‘baby boomers’ estão de volta



Os ‘baby boomers’ estão de volta

Empresas estão voltando a contratar profissionais com idade superior a 45 anos. O motivo seria a experiência.

O primeiro semestre do ano passado foi marcado pela grande quantidade de vagas a jovens profissionais e estagiários. Em contrapartida, poucas oportunidades aos executivos de meia-idade. Segundo especialistas, o motivo da procura pelos mais novos teria sido o baixo custo de risco e a aposta no investimento em talentos para o futuro das organizações.

Porém, com a crise econômica mundial que assustou as empresas, algumas precisaram ter atitudes para contornar a situação. Houve muitas demissões e trocas de funcionários e, em alguns casos, os ocupantes dos cargos foram os chamados ‘baby boomers’, isto é, executivos com idade entre 45 e 62 anos.

"O motivo da substituição é a sabedoria e o jogo de cintura que a experiência proporciona aos mais velhos profissionais. Além disso, em momentos turbulentos, as empresas precisam agir com maior cautela e paciência, ações que nem sempre são típicas dos jovens", afirma Renato Grinberg, diretor geral do website: trabalhando.com.br — portal especializado em recrutamento online.

"Muitos desses profissionais quando mais novos também já enfrentaram crises econômicas nacionais e sabem como lidar com a situação, por isso hoje agem de maneira diferenciada e chamam a atenção de futuros contratantes", explica Grinberg.

Outra razão que motiva empreendedores e profissionais de recursos humanos a contratar os mais experientes é a maneira com que eles lidam com a equipe e com o trabalho em si.
Já o especialista em gestão do tempo e produtividade, Christian Barbosa, o mercado requer pessoas competentes e produtivas, que saibam como trazer resultados para a empresa e não desperdiçar o tempo útil com atividades circunstanciais.

"Pessoas organizadas e que sabem gerenciar o próprio tempo, não desperdiçando-o à toa, buscando assim trazer cada vez mais resultados positivos para a organização em que trabalha, são os mais bem vistos pelas empresas", diz. "E grande parte dos profissionais experientes sabe agir dessa maneira, motivando e servindo como exemplo para os novatos".

Há muitas razões pelas quais os olhares estão se voltando para esse público que, até então, tinha pouca visibilidade com relação aos mais jovens profissionais que estavam se inserindo no mercado de trabalho. Mas, segundo Christian Barbosa, eles tem muitas qualidades quando o assunto é, de fato, resultados e gestão do tempo e do conhecimento, uma vez que durante toda a vida profissional vem aperfeiçoando sua forma de organização e não tem tempo a perder. “Eles são diretos e assertivos, o que traz grandes benefícios para sua carreira e proporciona também algo muito almejado pelos ‘"baby boomers’ : mais qualidade de vida”, afirma Christian.

"Mas é claro que os jovens não serão completamente substituídos e continuará havendo oferta para esse público que vem crescendo com toda a força, afinal novos talentos sempre terão espaço", ressalta Renato Grinberg. "Porém, enquanto as finanças não se estabilizarem, a crise econômica continuar dando sinais de existência e as empresas não sentirem plena confiança nos benefícios para contratação, a previsão é de que o mercado continue agindo desta forma, alinhando a experiência dos mais velhos com a esperteza e dinâmica dos mais novos", finaliza.

HSM Online
19/03/2009

quarta-feira, 23 de junho de 2010

A vida profissional (re) começa aos 40



(Jornal da Tarde - Empregos -16.02.09)

Empresas estão valorizando experiência no trabalho e na vida para mesclar talentos
Por mais que os novatos esbanjem garra, disposição em alto nível e muita energia para a execução das tarefas no dia-a-dia das empresas, eles não têm a mesma maturidade e a desenvoltura que os quarentões ou cinquentões dispõem para enfrentar os episódios de forte tensão do dia-a-dia.

Cientes disso, muitas empresas estão agindo para recolocar no mercado esses profissionais de vasta experiência agregada, em uma forma de alcançar o equilíbrio com os empregados juniores, aumentando a qualidade e quantidade dos negócios.


Estratégia da prosperidade

Embora muitos profissionais encontrem dificuldades para manter o emprego ou conseguir novas oportunidades em função da idade avançada, outra grande parcela da camada dos trabalhadores experientes segue ativa e atuante independente dos longos anos de vida que carregam no currículo.

Alberto Ogata, presidente da Associação Brasileira de Qualidade de Vida (ABQV), lembra que, “com o envelhecimento da população, as pessoas permanecem produtivas por mais tempo no mercado de trabalho”. Para se enquadrar a essa realidade moderna, é preciso estar disposto a mudar e não se acomodar.

“Atualização constante é o primeiro passo, principalmente no que diz respeito a tecnologia e línguas estrangeiras. Sem o desenvolvimento intelectual não se consegue nada, seja qual for a idade”, diz.

Para Rita Passos, diretora de comunicação da ABQV, cuidar da saúde física e mental também é muito importante para retardar as ‘rugas’ da carreira. “Fazer exercícios e aulas de relaxamento e reflexão, como ioga, aumenta a serenidade e revigora a autoestima. Cuidar do visual é outro ponto crucial, assim como transmitir segurança no ambiente de trabalho.

Aos 49 anos, Rita diz que não adianta tentar concorrer com os mais jovens. “O ideal é saber aproveitar a experiência - na profissão e na vida - para atuar em áreas que envolvam opinião, como consultoria.”

Sem pânico

Não há idade para começar ou recomeçar a vida profissional. Mesmo assim, é preciso estar bem preparado para o caso de demissão e a necessidade de buscar um novo emprego. “Mantenha a cabeça fria. Não adianta olhar para o problema, mas pensar em uma solução para ele”, adverte Rita.

“O planejamento financeiro é o segundo ponto, devendo abranger os gastos que você terá ao longo do ano e aquilo que poderá ser enxugado do orçamento. Na caça do emprego, não seja orgulhoso e evite pensar apenas nos altos cargos. A hora é de aproveitar o que surgir”, orienta.

Autora do livro Empregabilidade Acima dos 40 Anos, Maria Bernadete Pupo acredita que todos devem se preparar para o desemprego, tendo, no mínimo, dois planos em sua carreira: um de desenvolvimento, para se manter na empresa, e outro de serviço autônomo, para o caso de perder o emprego. “O trabalhador precisa ter uma atividade alternativa, algo que o faça garantir um rendimento extra”, afirma a professora da Fundação Instituto de Ensino para Osasco (Fieo).

“Dê preferência para fazer coisas que lhe agradem. Se gosta de mexer com artesanato, comece fazendo algumas peças, compre revistas especializadas, consulte lojas, descubra fornecedores e ouça seus amigos. Se é contador, pense em iniciar prestação de serviços para micro e pequenas empresas. Pode ser o início de um grande negócio”, sugere.

Como diz o ditado popular, “mais faz quem quer do que quem pode”. A idade é um mero detalhe e não um limitador.

COMO SE INSERIR DEPOIS DOS 40

Torne-se vendedor de si próprio, aja com persuasão

Mantenha o seu ‘produto’ atualizado, preparando-se para enfrentar as novas condições econômicas, revisando a autocapacitação

Utilize a rede de amigos para recolocar-se no mercado (networking)

Encontre fontes de inovação, estimulando a visão de novas oportunidades

Aceite as novas formas de trabalho, as quais passam por redefinições profundas, como contrato temporário, de tempo parcial, de prestação de serviços, trabalho por projetos etc.
Mantenha o entusiasmo e a energia, buscando fazer aquilo que lhe dá prazer

Seja mais ousado e se predisponha a assumir riscos, buscando o equilíbrio para não transformar a luta por novas oportunidades em sofrimento (equilíbrio emocional)

Cuide da aparência e saúde, pois inúmeros cargos dentro de uma organização valorizam esses fatores

Tenha seu objetivo profissional bem definido antes de sair a campo em busca de uma colocação

Elabore um portfólio profissional adequado com foco na área em que pretende atuar

EXPERIÊNCIA

Flexibilidade para se relacionar com pessoas e para negociar. No setor de serviços, o mais experiente é muito requisitado

Aptidão para assumir postos que, em outras ocasiões, exigiriam treinamento prévio para pessoas mais jovens

Transmissão de conhecimentos para os mais jovens. Os setores industrial e fabril estão adotando essa prática, devido à dificuldade com qualificação profissional

Oportunidade para os empregadores reduzirem custos com encargos sociais, contratando-os por projetos, como prestadores de serviços, entre outras opções.

domingo, 30 de maio de 2010

O PRECONCEITO E O PROFISSIONAL ACIMA DOS 40 ANOS



Faço parte de um grupo de discussão, recebi esse texto, e por achar muito interessante divido com vocês.

O valor da experiência de profissionais de mais idade não é aproveitado em empresas que têm como norma não contratar acima de quarenta anos.
A mais brilhante definição de preconceito de que já soube veio-me de Voltaire, em seu Dicionário Filosófico: “preconceito é uma opinião sem julgamento”, ou seja, adquirimos uma opinião qualquer, não verificamos sua razão de ser e passamos a acreditar naquilo, simplesmente.
Voltaire disse isto por volta de 1760. Passados mais uns cento e oitenta anos, em meados do Século XX, Einstein lastimou que “hoje, infelizmente, é mais fácil partir um átomo ao meio do que quebrar um preconceito”. Pois, somando-se as coisas, conclui-se que preconceito deve realmente ser algo indestrutível, ou perto disso.

Tão indestrutível, que o preconceito dos nazistas contra os judeus ainda perdura no coração de muita gente, mesmo após tanta propaganda contrária. E dos judeus contra os árabes, e dos árabes contra os judeus, e dos brancos contra os negros, e dos negros contra os brancos, e dos que são contra os mulatos, contra os cafuzos, os mamelucos, os letrados, os iletrados, as mulheres, os homens, os advogados, os políticos, os publicitários, os jornalistas, os nordestinos, os açougueiros, os torneiros-mecânicos (sim, porque, sem dúvida, haverá alguém cultivando preconceitos contra açougueiros e torneiros-mecânicos), os velhos, as crianças, os gays e o escambau. Existe preconceito até contra o escambau.

Assim como não tem fronteiras e nem escolhe raça, faixa etária ou sexo, o preconceito também não escolhe porta-vozes ou causas. Ele existe dentro de todos nós, tem diferentes intensidades. Não tem função nem propósito. Apenas existe, desde que o ambiente seja favorável ao desenvolvimento de um raciocínio qualquer, um sofisma destes capazes de fazer-nos acreditar no ilógico. Algo como a prestidigitação. Nada além de opiniões sem julgamento.

Nunca vi alguma pesquisa sobre onde o preconceito ocorre com maior ou menor incidência. Talvez os americanos, que adoram pesquisar de tudo, já a tenham feito, mas nunca ouvi falar dela. Mas também não é difícil concluir que o preconceito não é privilégio de um ou outro segmento da população. Nada disso. Ele existe em todo lugar, em todo tempo, em todo tudo! Tem em casa, tem no futebol, tem nas estações de trem.
E tem, claro, nas empresas; porque existem pessoas nas empresas. E pessoas são a única condição ambiental indispensável para a reprodução do preconceito. Nos últimos anos surgiu, por exemplo, uma espécie de preconceito no meio empresarial, mais especificamente na administração de recursos humanos, que é a rejeição a priori do profissional com mais de quarenta anos de idade.
O quarentão candidato a uma vaga qualquer, pode e deve desistir de antemão à sua pretensão de colocação profissional. Ora, exatamente porque ele já tem mais de quarenta anos. E o que isto significa? Nem Deus sabe. E, claro, muito menos certo tipo de recrutador: papagaio de repetição, este recrutador só sabe que o candidato tem mais de quarenta anos e, por isso mesmo, não pode ser contratado. É a política da empresa, ora!

Mas se perguntarmos a razão de ser desta política da empresa (ora!), ele, autômato burocratizado não saberá responder. Basta que ele saiba, e isto o satisfaz plenamente, que a política da empresa é esta. E ponto. Para ele, políticas empresariais são, por definição, indiscutíveis (mas que cara teimoso você é! Pare de querer discutir a política da empresa!).

Gente assim cabe com exatidão de mecanismo de relógio suíço na definição títere porcessionário, criada por Laurence Peter, a maior autoridade mundial em estudos sobre a incompetência. Títere é sinônimo de fantoche, marionete; processionário é aquele que segue, apenas segue. Há, para exemplificar, uma espécie de larva que segue a da frente. Colocadas em círculos, estas larvas processionárias ficam dando infinitas voltas umas atrás das outras até morrerem de fome, mesmo quando, como se fez em várias experiências de laboratório, havia alimento em abundância ao alcance de todas.

O títere processionário, portanto, é um verme que apenas segue e, assim, se manipula com facilidade. Como sabemos, há muitos deles nas empresas e demais organizações humanas.

Tem da portaria até a presidência. Porém, quando na administração de recursos humanos, passam por uma metamorfose peculiar e de origem desconhecida para assumirem a forma mais letal que se pode verificar na espécie dos títeres processionários: a forma que age sob estímulo exclusivo do preconceito, aquela opinião sem julgamento à qual já nos referimos, com poder de determinar a vida de pessoas.
Visto que o títere processionário não pensa, ele é evidentemente incapaz de julgar. E dá-se
a um sujeito destes o tal ‘poder de vida e de morte’ sobre profissionais que cometeram o terrível engano de não contrariar a natureza das coisas e, imprevidentes, deixaram o tempo passar, atingindo os quarenta anos.

Pela lógica titeriana-processional, nada mais justo que punir estes ineptos que não combateram com vigor o passar dos anos. E ousaram envelhecer. Já que o profissional não foi capaz de fixar-se na idade dos trinta anos, também não será capaz de fixar-se na empresa ou num projeto qualquer. Corte-se-lhe, pois, a cabeça.
Mas os sujeitos que mudaram o mundo o fizeram, em sua esmagadora maioria, após completarem bem mais do que quarenta anos. Leonardo da Vinci, Isaac Newton, Gutemberg, Sidarta Gautama (vulgo Buda), Churchill, De Gaule, Henry Ford, Mahatma Gandhi, Roger Mila (que, até uns cinqüenta anos, jogou um bolão pela seleção de Camarões)… dê uma olhadinha em qualquer livro de história e confira.
Só Jesus Cristo não conseguiu; certamente porque não lhe deram chance de mostrar do que ele seria capaz após os quarenta (se aos trinta e três já era um terror, imagina aos quarenta!). Talvez os romanos fossem os precursores desta atual tendência da administração titerianoprocessional de recursos humanos: “Está a caminho dos quarenta?!? Crucifica o cara!”

Falei com um executivo europeu e ele disse que, lá no velho continente, idade não é fator de importância crucial. O que conta é o mix de vontade-competência-experiência.

Então, estamos, no Brasil, criando know-how para exportação. Preconceito globalizado, mas made in Brazil! Nossos preconceitos em relação à idade nos fazem esquecer de sujeitos como Lee Iacocca, Antonio Ermírio de Morais e mais um punhado de sessentões, setentões e oitentões que, ainda hoje, estão à frente de seus barcos, são produtivos, arrojados, geram empregos e fazem suas empresas dar muito lucro.

Por outro lado, sobre os idiotas que recusam um profissional por questão etária, estes não poderão jamais ler algum texto primoroso que Manuel Bandeira ou Cora Coralina, ou Goethe ou Ernest Hemingway, tenham escrito, idosos, no final de suas vidas: por coerência, devem recusar tudo o que estes e outros tantos velhos desprezíveis tenham produzido.

A propósito, quando escreveu seu Dicionário Filosófico, Voltaire já tinha uns oitenta anos. Também convém que alguém conte a estes sujeitos (por pura sordidez e maldade) que logo, logo eles mesmos chegarão aos… quarenta!

Esta gente que cultiva opiniões sem julgamento o faz porque, evidentemente, não é capaz de julgar coisa alguma. Assim sendo, também não serão capazes de tomar, com equidade, alguma decisão que exija mais do que alguns neurônios e raciocínios primários. Devemos desprezá-los, embora com compaixão. E devemos, por pura lógica, desprezar também, e principalmente, quem lhes confiou o cargo que exercem.

Zeca Martins é publicitário e autor do livro “Propaganda é isso aí!”
Autor: Zeca Martins
Fonte: Trecho do Livro “Propaganda é isso aí!”.

QUAL É O SIGNIFICADO QUE VOCÊ DÁ PARA SUA VIDA?